O jovem de 19 anos que morreu neste domingo (30), após invadir o recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), em João Pessoa, tinha histórico de problemas psiquiátricos, múltiplas prisões e um histórico de acompanhamento por órgãos de proteção social da capital.
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Conhecido como “Vaqueirinho”, ele foi acompanhado por oito anos pelo Conselho Tutelar. De acordo com a conselheira Verônica Oliveira, ele manifestava repetidamente o desejo de ir para a África para cuidar de leões. Em uma das ocasiões, tentou invadir o trem de pouso de um avião no Aeroporto Internacional de João Pessoa com esse objetivo. A tentativa foi interrompida pela equipe de segurança do terminal.
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“Quantas vezes, na sala do Conselho Tutelar, você dizia que ia pegar um avião para ir a um safári na África cuidar de leões. Você ainda tentou. E eu agradeci a Deus quando o aeroporto me avisou que você tinha cortado a cerca e entrado no trem de pouso de um avião da Gol”, relatou a conselheira.
O jovem deu entrada no Conselho aos 10 anos, após ser encontrado pela Polícia Rodoviária Federal sozinho na BR-101. Desde então, acumulou mais de 10 registros policiais e passagens por unidades de acolhimento e instituições de saúde mental.
Na última segunda-feira (24), ele foi preso duas vezes no intervalo de uma hora por arremessar uma pedra contra uma viatura da Polícia Militar e danificar caixas eletrônicos. Apesar disso, foi posteriormente liberado pela Justiça para tratamento psiquiátrico, por apresentar quadro de saúde mental agravado.]
Veja o depoimento completo:
“Gerson, meu menino sem juízo… Quantas vezes, na sala do Conselho Tutelar, você dizia que ia pegar um avião para ir a um safári na África cuidar de leões. Você ainda tentou. E eu agradeci a Deus quando o aeroporto me avisou que você tinha cortado a cerca e entrado no trem de pouso de um avião da Gol. Graças a Deus, observaram pelas câmeras que havia um adolescente ali antes que uma tragédia acontecesse.
Foram oito anos acompanhando você, lutando, brigando para garantir seus direitos. Quando entrou na minha sala pela primeira vez, tinha apenas 10 anos. Eu e a conselheira Patrícia Falcão recebemos você das mãos da PRF, encontrado sozinho na BR. Desde então, toda a Rede de Proteção me procurava sempre que algo acontecia com você.
Eu nunca consegui ver você como as redes sociais te pintavam. Eu conheci a criança que foi destituída do poder familiar da mãe, impedido de ser adotado como os outros quatro irmãos. Você só queria voltar a ser filho da sua mãe, que é esquizofrênica e não tinha condições de cuidado. Sua avó, também com transtornos mentais. Mas a sociedade, sem conhecer sua história, preferiu te jogar na jaula dos leões.”